['juliana', do latim:
a que pertence à luz, a que brilha -
'brina', do italiano:
névoa, neblina -]
chamo-me juliana brina, sou duas, eu sou
aquela menina
encolhida no canto do quarto, para chorar calada, de costas para o mundo, a menina de repente sozinha, e sou
aquela mulher
que será para sempre o sal dos teus olhos, será tua água e teu pão, a mulher cujo cheiro vai se agarrar a teus dedos, ao corpo, a que vai te doer,
aquela
aos pedaços, de tanto partir, a que vai bater portas e janelas e caminhará para longe, cheia de fúria, com o coração alto, feito o mar, eu sou
duas, a que engole as lágrimas, neblina ao redor, cobrindo tudo, e a que te dá de comer o sal pela boca, como fazem os pássaros com os filhotes, neblina com luz dentro, eu arranco meu amor de mim todos os dias
com os dentes
e meu coração é um resto.
2 comentários:
a juliana é outra, o poema é antigo, mas tudo bem...
POEMA DAQUELA QUE NÃO É
Porque seria um esboço
a aparência de uma outra
coisa
ou a miragem do seu rosto
mancha de chuva que em mim secasse pronto
sombra
momento, folha.
Porque seria um relance
de caravana na fumaça, oásis
nuvem, diamante ou nada que pairasse
acima do sol ou lágrima
cinza
que à sua imagem me nublasse
por um momento
distante, sombra.
Porque seria uma lembrança
de uma presença sem anos,
Juliana
bruma envolta em sonho.
[nicolau paropas, 1917]
Tão lindo...
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